Perde-se na noite dos tempos a origem do “poder” da Varinha Mágica.
De facto, desde os tempos mais recuados, a Varinha Mágica simboliza o “poder sobrenatural”, sob cuja influência se abrem os “mistérios” do desconhecido e sob cujo “influxo se doma” o Impossível, transformando-o em Possível...
As próprias Fadas dos contos da nossa infância não teriam o poder de sedução, nem se apresentariam “nimbadas dum halo de encantamento”, se, aos nossos olhos deslumbrados de meninos, não empunhassem a sua Varinha Mágica, irradiante de tantos e tantos motivos de fantástica beleza, ainda hoje recordados enternecidamente pelos adultos, num saudoso reviver da nossa feliz “idade de oiro”...
O que é um Ilusionista? Sem a Varinha Mágica, um homem como os outros e como os outros escravizado à triste limitação da sua natureza humana; com a sua Varinha Mágica, é já um Ilusionista, um criador de ilusões, que dela recebe o “sortilégio milagroso” para o fazer transpor as fronteiras dum mundo diferente, onde as coisas se mostram à luz de outra realidade, mundo onde tudo se transfigura em acontecimentos e coisas que se libertam das tirânicas leis da lógica, pela acção desconcertante das leis do paradoxo!
Que ingénuo Ilusionista ousaria, por exemplo, tentar a transformação de um ramo de flores numa gaiola com pombas, sem estar munido da sua Varinha Mágica, sob cujo desconcertante “influxo” tudo é possível?
Quem terá poder para fazer desviar a atenção daquilo que tão insistentemente se mostra como intencionalmente se pretende que não seja visto, se não tiver à mão uma Varinha Mágica que “atraia” os olhares e “desvie” as curiosidades?
Onde, enfim, o ousado que, desprovido da Varinha Mágica, se julgue capaz de conduzir e orientar, ao sabor da sua conveniência de Ilusionista, a atenção e a perspicácia de um público atento?
É imenso o “poder” da Varinha Mágica, e todo o Ilusionista tem sempre presente esta verdade paradoxal que é a própria essência do paradoxo de que é feito o condão da Varinha: (Para que o espectador nunca mais descubra o segredo da Varinha Mágica, só há uma solução, tão simples, como transcendente, que é passá-la para a mão do espectador para que ele a examine com cuidado; com efeito, quanto mais e melhor olhar, menos e pior verá!)
Por si só, a Varinha Mágica não é tudo, mas é já muito. Porém, quem sem ela quiser ser Ilusionista, não consegue mais do que a ilusão ineficaz daquilo que pretende ser.
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